segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Mãos da amizade





De mãos dadas
Se caminha
Pela rua da vida
Dão carinho
Dão força
Ficando sempre guardadas
Na memória ao longo da vida
Mãos graciosas e perfumadas
As mãos da amizade
Nelas há generosidade



Cidália Rodrigues

sábado, 21 de janeiro de 2017

Se a poesia ...



Se a poesia não me abeirasse
Os dias eram mais tristes, sem graça
Assim, agradeço ao rouxinol
Que fez dos meus dias, dias de sol
E fez vir à praça
Os poemas onde guardo minhas penas
Neste esconderijo
Em que redijo
Meus argumentos
Desenrolo o novelo
Do fio que me traz ligada
Ao mundo da simplicidade
Não é na cidade
Onde passo sem norte
Que procuro minha sorte
Apenas sou transeunte
Como outro qualquer
Onde sou incógnita
Cogito
Nas ruas onde transito
À procura de motivo
Para me sentir ser vivo
Agradeço às aves
Às paredes desertas
Às ervas soltas das janelas
Agradeço às estrelas
Às flores o seu perfume
Às nuvens, às árvores
Às folhas secas caídas no chão
A tudo o que preenche a minha solidão
Agradeço ao cão vadio
Que me ladra
Ao gato que vem ao parapeito da minha janela
E se pavoneia
Agradeço aos contrastes de luz e sombra
Que me fazem sonhar
E imaginar vidas vividas
Vidas reais
Assim, faço dos poemas o meu albergue
Para me manter alegre



Cidália Rodrigues



Que sabemos nós de nós



Que sabemos nós de nós
Mal sabemos o nome
Que foi dado pelos nossos pais
Chamam-nos Beltrano e Sicrano
Temos um cérebro
Falamos
Que sabemos nós de nós
Se não conhecemos os nossos avós
Falamos, comemos, amamos
Que sabemos nós de nós
Olhos verdes, de avelã
Castanhos
Castanhos mais escuros
Enganos
Perdidos vivemos
Sem sabermos quem somos
Somos nós, nossos pais, nossos avós
Que sabemos nós de nós
Confusões, deambulações
Erramos
Que sabemos nós de nós
Se não conhecemos
Os caminhos por onde passamos
Erramos
Confusos, intrusos
Temos cérebros
De génios
Confusos, intrusos
Imaginamos
Soletramos
Amamos
Que sabemos nós de nós
Máscaras perfumadas
Beiços avermelhados
Inchados
Inacabados
Que sabemos nós de nós
Barcos que remam
No mar
Sem par
Distantes, emersos
Dispersos
Enfim,
Que sabemos nós de nós
A voz que nos chama
Que nos acorda
Da vida bamba
A voz nos chama
Nos puxa à razão
Dizendo que somos nós
Esse nós que nos chamam


Cidália Rodrigues

Mãe, meu horizonte



Mãe, meu horizonte

Teu porte fino

Tua delicadeza

Tuas doces palavras

Tão sábias e esclarecidas

Minha mãe

Minha estrela da manhã

Meu horizonte

Nada há de mais belo

Mais puro e eterno

Tua beleza de trato

Teu jeito sempre tão nobre

E sempre tão pobre

Para mim foste, és Rainha

Da classe mais fina

Tua força milagrosa

Sempre, sempre corajosa

Mãe, meu horizonte
Minha luz da manhã

Minha fonte de amor

Mãe, minha Deusa, minha Rainha

Eternamente minha

Minha Mãe



Cidália Rodrigues

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Coisas leves da Vida



Coisas leves da Vida
Além dos sorrisos
Dos cânticos suaves
Cantados pelas aves
Coisas leves da Vida
Olhos de admiração
Que conserva o coração
Coisas leves da Vida
Que dão brilho aos olhos
Elevam a alma em graciosidade
Apela à generosidade
Sem qualquer cor na idade
Coisas leves da Vida
Eis tudo o que fica
Quando tudo se glorifica e unifica

Cidália Rodrigues