sábado, 22 de outubro de 2016

Ouvi falar


Ouvi falar as pedras antigas, segui-as, elas viram-me porque eu existia.



Cidália Rodrigues

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O rio

Há uma rio que corre dentro de mim, 
outro que vejo correr fora de mim,
todos os rios nascem para correr
e mostrarem as águas que correm deles
por isso a água corre dentro de mim
nasce em mim porque também a vejo correr
nasce, cresce e solta-se da margem
corre para o mar
mesmo que o mar esteja longe de mim
em todos os rios cantam as águas
neles borbulham o murmúrio dos dias
das noites e da vida
Há um rio dentro de mim
que salta, corre e foge das margens
até que encontra o Sol que aquece,
amorna as águas que correm
e adormecem o rio que por onde correm


Cidália Rodrigues

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Vale Luzente



Quando caminho à noite
Nas voltas que dou à mente
Sigo o percurso do Vale Luzente
Onde tudo se torna mais claro e evidente
Caminho onde a luz abre o meu caminho
Vejo as estrelas brilharem
Na brancura da Lua
Vejo as ovelhas a pastar
E as cabras a saltitarem
Todo o Vale é mais que Luz
É Céu é Eternidade
Seja de dia, noite ou poente
É maravilhoso ao Sol da nascente
Nele há tudo o que admiro
Ribeiro de água corrente,
Pinhais, campos verdejantes,
Álamos, canaviais
Não há natureza tão bela
Que avista pela minha janela
Quando por ali passo
Todo este encontro é sereno e perfeito
Estes são os melhores momentos
Que tenho de presente
O Silêncio Superior
Que me permite superar a dor
De quando está ausente
E nestas voltas que faço
É quando vejo o Universo
E sei que está comigo dando-me o seu abrigo


Cidália Rodrigues

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Chovia



Chovia na rua.
Na cozinha,
O modo da poesia.
A torneira aberta
Água corria,
A chuva na rua, caía.
Sons tão desiguais
De águas normais
Um som natural
Outro artificial.
A água corria
Um, obra da Natureza
O outro, efeito da engenharia
E pela cozinha água corria
Em mote de poesia


Cidália Rodrigues

sábado, 15 de outubro de 2016

O som da noite



Ouvi o som da noite que rompia
Como a água que nascia
E corria
Era o som das folhas das árvores que ouvia
Apagando todo o ruído que surgia
Nada mais belo e sublime
Que ocorre antes do nascer do dia
Esta harmonia da noite
Enaltece
O silêncio celeste que se desconhece


Cidália Rodrigues

O melhor do mundo

O que há de melhor no mundo é o carinho e os beijos de mãe. São alimento mais puro do amor mais profundo, alimentam a esperança e a vida.


Cidália Rodrigues

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Um sonho



Nada tenho nesta vida

Nada tive, nada tenho
Sou livre

Posso voar
Posso partir
Posso chegar
A qualquer hora
Perto do mar

Meu porto
É peregrino
Que anda por qualquer lado

Quero apenas
Um barquinho
Mesmo que seja de papel
Para me levar onde quero
Sem hora
Sem espera
Quero andar de terra em terra
Sentir o cheio da vida
Ver o olhar
De quem passa
Ao ver-me ali chegar

Sou livre
Nada tenho
Nada tive
Apenas um sonho
Ser livre


Cidália Rodrigues