quinta-feira, 17 de maio de 2018

Encostado ao seu cajado



Encostado ao seu cajado
Via as cabras mastigando
O que havia além prado

Era o pastor aviado
Que guardava o seu gado
Com o cão a seu lado

Olhava o céu estrelado
Era já noite, noite clara
Ainda não tinha visto a ceia

Mas aguardava em sua calma
O manjar já granjeado

O gado lentamente comia
A erva rasteira

Os cabritinhos atrevidos
à barriga de sua mãe se encostavam
Puxando pelo teto à procura de alimento

Depois da barriga cheia
Os cabritinhos e suas mães
Os chibos também
Seguiam uns atrás dos outros
Pela rua fora
Sem pressa, sem demora

Seguiam pelo caminho
Que os levava ao seu abrigo


O pastor aviado
De cajado na mão
Com o cão a seu lado
Meu torto meu cansado
Olhava para todo o lado
Contando todo o gado
Não andasse algum extraviado


Era hora de cear
Era hora de descansar






Cidália Rodrigues


domingo, 13 de maio de 2018

Lançam sementes



Ao Domingo, tudo passeia,
Andam de carro, para todo lado;
Que canseira.
Passeiam,
Ficam com a ideia
Que foi uma boa maneira
De esquecer o que fizeram a semana inteira.
Outros admiram o que a terra lhes dá
Lançam sementes
Que hão de crescer.
É a prática do movimento
Ao renovar
o que semeiam
Aguardam que cresça, os rebentos
Que irão colher para comer
Mais tarde na sua ceia



Cidália Rodrigues

terça-feira, 8 de maio de 2018

Elevara a hora que passava



Cantavam os pássaros a meu lado
A meu lado os pássaros cantavam
Cantavam a melodia da tarde
À tarde cantavam

Cantavam os pássaros a meu lado
A meu lado os pássaros cantavam
Seu canto me alimentava
Elevava a hora que passava

Cantavam os pássaros a meu lado
A meu lado os pássaros cantavam
Era já tarde, ainda cantavam
Cantavam a canção do entardecer

Cantavam os pássaros a meu lado
A meu lado os pássaros cantavam
Seu canto afinado
Fazia adormecer o dia que passara


Cidália Rodrigues

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Se és de bem


Se és de bem
de bem viverás
Se deres teu bem
teu bem partilharás
Se o bem te faz caminhar
Muito bem receberás
Um dia dirás
que a vida foi de bem
Foi o bem que te abeirou
No teu seio do amor

Cidália Rodrigues

domingo, 6 de maio de 2018

Em epopeia e poesia



Do ponto mais alto da Guia

Avista-se ao longe o Grou e as Fontainhas

Terras bem bonitas,



Pequenos aglomerados

Habitados



Mais longe ainda

Avistam-se pinhais



Plantados pelos homens

Em tempos do poder real

Pinhais, muitos pinhais, semearam

Para segurarem os imensos areais

Banhadas pelo grande mar

Que ao mundo deu voz

Em tempos recuados de muitos avós

Que por mares se fizeram

Os maiores homens da terra

Cantado por Camões,

Em maravilhas, ilusões.

Neste canto do mundo

Tão pequeno que uma pulga

Mas que se fez maior em tudo.



Em epopeia, poesia

Narrativa sábia se fez.

Que da sua pequenez

Foi monumental na sua primazia.





Sabia bem francês

Apalavrado em inglês

Ensinou o uso do chá



Camões, Fernando Pessoa,

António Gedeão, Miguel Torga,



Com seus cantos eternizaram

O que outrora se materializara

O que pela força angariaram

O que pelo Mar

Cativaram





Hoje, a Maravilha do Fado

Cantado ao desafio

É Lisboa, é Coimbra

É o fado da Mouraria



É Festival, Eurovisão

Tudo em primeira mão.

É vinho do Dão

É Vinho do Porto

É Vinho do Alentejo

É Vinho da Estremadura





Em epopeia, poesia

Narrativa sábia se fez.

Que da sua pequenez

Foi monumental na sua primazia.

Tão pequeno que uma pulga

Mas que se fez maior em tudo.




Cidália Rodrigues








































quinta-feira, 3 de maio de 2018

Flor do campo

Flor do campo
que nasce na Primavera

Serradela

Flor de encanto
 
Aveludada


Cidália Rodrigues