segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Jovem em solidão



No banco de jardim
Onde as folhas já dormiam
Sentado ali estava o jovem solitário
Como se estivesse abandonado
O dia era frio
A noite chegava
O jovem solitário
Fumava um cigarro
Para as mãos aquecer
E do dia se esquecer
A noite vinha fria
Um agasalho deveria ter
Para não ter que tremer
Quer de fome quer do frio
Jovem solitário
De rosto tão amargo
Aspirava o seu cigarro
Em solidão abandonado
Perdido ou encontrado
Era o jovem só em solidão


Cidália Rodrigues

domingo, 6 de novembro de 2016

Sempre sonhei



Sempre sonhei em viajar
Coisa que ainda sonho
Daí que passo o dia, o mês e o ano
Em viagem de sonho.
Umas são galhofeiras
Outras de grande trabalheira.
São viagens de pasmar.
Umas põem-me a matutar
As outras a divagar.
Naquelas em que matuto,
Descubro nelas os sentidos do mundo.
Naquelas em que divago
Descubro nelas o mundo dos sentidos.
Por isso sonho em viajar.
Viajar em qualquer lado
Para descobrir o melhor fado
Onde possa sonhar,
Para viajar de verdade.
E os sonhos realizar.


Cidália Rodrigues

sábado, 5 de novembro de 2016

Sonho de aprender



A chuva estava a cair
Antes da hora de dormir
Vejo o sonho crescer
Como se acabasse de nascer
Era um sonho de aprender
Ver a terra humedecer
Porque o tempo é de criar

As plantas que sorriem
As sementes que germinam
As ervas que verdejam
Tudo é ensejo
Fazer crer que é desejo
Ver a vida produzir
E nela ver o despertar
Dum saudoso alegrar
De ver tudo a germinar
Ver a vida produzir
E nela ver o despertar


Cidália Rodrigues

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A máscara



A máscara que mostraste
Não corresponde à imagem
Que apresentaste
Na primeira amostragem
A máscara vai rodando
A todo e a qualquer mando
Ao mudar a emoção
Mostra o que vai no coração
Sejas pobre ou ladrão
Rude ou brincalhão
Sério ou injusto
Esta é a condição
Tudo se vai afirmando
Mesmo que não seja a teu agrado
É a máscara do inesperado
E se ainda não reparaste
O que muda ao longo do dia
Na tristeza e na alegria
Ela muda e se muda
Quando arqueias a sobrancelha
Com desconfiança
Com ira
Com pavor
Com rancor
Quando olhas com ternura
Com amor
Ou ironia
A máscara te denuncia
De qualquer maneira
Tudo muda tudo altera

A máscara não é permanente
Toda ela muda em toda a gente
Por isso tudo é disfarce
Seja qual for a tua arte
Por muito que queiras alterar
A máscara te denuncia
Em qualquer hora do dia


Cidália Rodrigues

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Sigo a noite



Sigo a noite
Entre ela as estrelas que me guiam
É esta a luz que me ilumina até chegar o novo dia
Sigo a noite
Depois de mais um dia
O amanhã chegará
Virá a nova aurora
Com as cores da madrugada
Iluminadas com o sol da alegria
Assim será um novo dia
Virá resplandecente
Neste Novembro esperançoso


Cidália Rodrigues